quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Raimundos querendo ver o Oco

Ultimamente ando meio saudosista. Com saudades do meu cabelo comprido, da época que tocava com minha banda nos botecos da vida, trocando rock por cachaça. Saudades de um tempo em que era só sintonizar a extinta 89 FM, então “a rádio rock”, para ouvir um maluco com sotaque nordestino, anunciando, aos berros, que foi num Puteiro em João Pessoa que descobriu que a vida é boa. Guitarras furiosas e letras sacanas. Essa era a fórmula dos Raimundos, última grande banda a despontar no cenário brasileiro e que foi o ícone dessa minha fase, digamos, “rockstar”. Do primeiro disco, já se vão 16 anos e se nesse meio tempo meus cabelos deixaram de ser compridos e as noites em cima do palco já não acontecem mais, na história da banda muita coisa também mudou. Da fama, milhares de discos vendidos e shows em grandes festivais, o Raimundos viu Rodolfo, um dos fundadores, vocalista e principal compositor, abandonar a banda para buscar sua salvação numa igreja evangélica. Desde então, o que se seguiu foram discos pífios, perda de identidade e o retorno para a cena underground. Mas foi numa noite gelada de São Paulo que eu, Raimundos e outros milhares de fãs pudemos, por pouco mais de uma hora e meia, esquecer as pancadas da vida, voltar no tempo e matar nossas saudades. Depois de anos de obscuridade, o Raimundos reaparece para uma série de shows, agora, e temporariamente, com Tico Santa Cruz, dos Detonautas, à frente do microfone. A apresentação no HSBC Brasil, no último dia 9 de abril, foi a primeira do novo projeto e já na entrada da casa, era possível notar que o clima de saudosismo era o que reinava no ar (rivalizando com o cheiro das centenas de baseados, claro!). Um clima reforçado pelo guitarrista e agora front man da banda, Digão, que logo que deu as caras no palco, entre gritos alucinados, esbravejou: “Que saudade de vocês, porra!!”

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